quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Procurando Forrester - Texto

Acabei de ver num filme que a gente deve primeiro escrever como coração, depois com a mente, então decidi escrever.
Não espero que seja nada grande, mas sim sincero, não lerei novamente isto depois, e provavelmente nunca saberei se significou alguma coisa, pra alguém.
Mas não é esta angústia que temo, e sim uma outra, que aquece meu coração gelado, e traz sensibilidade, mágica, tal qual faz eu sentir cada pulso, cada gota de sangue jorrar, e não amaldiçoo meu corpo por me trazer isto a pele, nem por me fazer esperar realmente que trouxesse. Não o faço por nada, mas se o fizesse, seria por respeitar os meus desejos de Amar, mas não encontrar alguém que também o faça.
Percebi, na tristeza, quão fácil é escreve-la, e logo depois, o quão difícil é escrever a felicidade, e agora, percebo o quão mais difícil é escrever a felicidade estando feliz. Não posso entender, eu desejo a tristeza, o que é isso, que me move e me leva aos lugares que desejo não desejar deseja-los?
Queria ter o poder da simplicidade de não compreender a vida, mas sim vive-la, mas cada dia esforço-me pra entender o porque não desejo entender a vida, não mais. O sentido escorre das minhas mão, assim como a doçura pura, que foi maculada pela vontade da mesma doçura. A que vontade.
Não desejo a alegria, não quero que me vejam com um sorriso no rosto acenando para ninguém, não quero que olhem meus dentes e digam: Olhe o sorriso dele, me anima!". Quero que olhem pra mim, e digam: "Há algo nele, não sei dizer o que é, mas, me aquece, me... enche", desejo a felicidade, sim. Completa, pode ser sem sorriso, posso fazer cara séria, e olhar, só olhar.
Hoje, uma moça loura de olhos azuis me atendeu. Mais tarde, bem mais tarde, o tempo fechou, e começou a chover, imediatamente, passou pela minha cabeça uma cena: eu olho para ela, que olha pra mim, esperando algo, grande, então eu digo, teus olhos, há algo mágico neles, fazem-me esquecer que o tempo está escuro lá fora, e só vejo um céu claro, e lindo. A cena continuaria, o chão tremeria sem nos mexermos, um castelo, vista para o mar, mas logo veio o carrasco, a carrasco, a vida, a realidade. Quem em santa consciência acharia isso qualquer coisa além de cômico? E o que saiu do meu coração com sinceridade e leveza, tornou-se algo pesado, e nem um pouco inocente, não mais.
Será então, que os pensamentos são inocentes enquanto vagueiam no ar, e nós nos damos ao trabalho de pega-los, um por um, e transforma-los nisso? Uma sátira desprezível de uma vida de ainda mais escárnio? Ou será que me engano dizendo que estes pensamentos são reais dentro de mim, por saber que assim, me convencerei que sou ninguém?
Ouvi hoje também que não se deve iniciar uma frase com a conjunção, acho que era conjunção, não lembro das normas, eu que adoro conhece-las para quebra-las, não as conheço mais. Indiferente, ninguém aqui tem o poder de entender o coração. E ninguém controla o que não entende.

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